08 novembro 2014

Resenha: A Seleção


Sempre fico meio perdida quando tenho que resenhar algum livro "best-seller", muito hypado ou algo do tipo. E ainda mais quando mesmo depois de ler, a minha opinião não ficou muito clara... É o caso de A Seleção. Quando decidi comprar (em junho de 2013) e ler (muito tempo depois da compra), confesso que foi também porque a história me pareceu legal e um pouquinho inovadora, mas um outro grande motivo foi pra saber WHYYY ele estava fazendo TANTO sucesso. E bem, se demorei a fazer essa resenha, já dá pra notar minha empolgação ao escrever sobre A Seleção, né mesmo? :)
P.s.: essas fotos que ilustram o post foram tiradas com o pisca-pisca rosa que disse que comprei em outro post (queria o vermelho mas ele era praticamente laranja, e o rosa estava mais pra vermelho do que pra rosa...)

Autora: Kiera Cass
Editora: Seguinte
Páginas: 361
Nota: 
Num futuro que se passa em Illéa, um país jovem com uma sociedade dividida em castas, a competição que reúne moças para decidir quem se casará com o príncipe é a chance de ser alçada para um mundo de luxo, conquistar o príncipe Maxon e um dia ser a rainha. Mas para America Singer, uma artista da casta Cinco, ser Selecionadas é um pesadelo, pois terá que deixar Aspen, seu namorado secreto, e a sua família. E viver em um palácio sob a ameaça constante de ataques rebeldes. Então ela conhece pessoalmente o príncipe. Cheio de qualidades, Maxon não é nada do que se poderia esperar. Eles formam uma aliança, e, aos poucos, America começa a refletir sobre seus planos e vê que podem se tornar algo com o qual ela jamais sonhou.


Ultimamente tenho ficado meio rigorosa com os livros que leio haha. Com A Seleção não foi diferente. Como eu disse, metade de querer ter lido foi pra saber os motivos do sucesso do livro. Então, temos: 

1) A história, que se passa no Estado Americano da China. A organização política é um tanto quanto confusa, e esse Estado me pareceu ser um continente ou um país, com outro país dentro (?), no caso, Iléa.  Aí vem essa coisa do futuro distópico e blá blá. Gente, já deu isso, não? Criativade wins pra galere do YA aí. 
2) Daí esse país tem a sociedade dividida (oh) em castas (ohhhh). Criatividade manda beijos, abraços e uma caixa de bombons. E essas castas, como o próprio nome diz, vão da mais baixa à mais alta. America faz parte da casta Cinco, a dos artistas, e vive passando por dificuldades com a sua família. Aspen, seu namorado secreto, é da Seis, uma abaixo da dela, que serve para prestar serviços pesados às outras castas, como faxina, limpeza etc. P.s: não entrou na minha cabeça isso de terem que esconder o namoro. Que criancisse. 
3) A mãe de America é uma chata insistente que quer que a filha entre de qualquer jeito na Seleção, e America não quer de jeito nenhum. Mas quando Aspen, o chato do Aspen, numa atitude linda e altruísta (só que não), termina com America por amá-la muito e ter certeza de que não dará uma boa vida a ela (ok, porque só o homem é responsável pelo sustento da casa, aham, sentá lá Aspen), ela chuta o pau da barraca e se inscreve nesta mierda de Seleção. E aí ela é escolhida, e tudo começa.


America é uma protagonista morna no começo, chega a ser chatinha, e no início da Seleção seu primeiro contato com Maxon dá vergonha. Pra quê tanta falta de educação à toa? Por causa de uma crise de pânico maluca que surgiu do nada? Que menina louca, pelamor. Mas depois, felizmente ela melhora e se torna uma protagonista até digna. 
Maxon, por sua vez, é um fofo, todo tímido e sem-jeito com as garotas, pois nunca namorou e blá blá. O diferencial dele, como mocinho de YA, é justamente porque ele não é nenhum Ren/Kishan/Jace da vida, que sabem do próprio potencial e o usam pra fisgar o coração da cocota escolhida. Nisso, felizmente a autora foi criativa, pois Maxon foi um personagem de YA bem raro de se ver, e eu gostei disso. Mostra que os mocinhos de YA não precisam ser daquele tipo conquistador desesperado e jogador de charme e cantadas o tempo todo pra conseguir conquistar o amor de alguém.
A relação dele com America é interessante pois ela deixa claro que não quer estar ali mas o faz pela família (já que a cada semana que as Selecionadas ficam, as famílias recebem ótimos pagamentos), e ele concorda, e contará com a ajuda dela para escolher a melhor candidata a Rainha. Mas acabam ficando tão próximos e se conhecendo melhor, sem ter que manter as aparências devido ao trato que fizeram, que um vai agradando do outro... E aí, já viu né.


Um adendo rápido para a parte política: tem essa coisa de ataques rebeldes, mas achei muito mal construída e elaborada, não senti drama nem ameaça de verdade com nenhuma das facções descritas. Me pareceu que isso foi só pra dar uma seriedade e algo de perigo à história e não deixá-la rasa, mas, epic fail, pois a autora não alcançou muito bem o intuito. Assim como as intrigas palacianas das candidatas. Ok que existem pessoas dissimuladas nesse mundo, mas achei MUITO filme norte-americano adolescente cada intriguinha que surgia, e as personagens meio rasas e sem aprofundamento. 

Resumindo: A Seleção tem uma história boa, mas mal aproveitada e um pouco "infantilizada" ou "adolescentizada" demais. Seria MUITO melhor se a autora soubesse amadurecer os personagens (até em questão de idade) e o contexto onde tudo se passa, pois daria mais veracidade à história. Além disso, é escrito em primeira pessoa, o que passa a impressão de ser mais "diário de adolescente" ainda. DETESTO narrações em primeira pessoa. Ainda tem o fato de que a escrita de Kiera Cass é mediana, executada meio "nas coxas", muito simples e tal, mais um pouco e eu poderia dizer que é um livro "mal escrito".
MASSSSSSSS eu reconheço que a história é boa, criativa (apesar das ressalvas feitas lá em cima, como essa coisa de sociedade dividida), tem potencial pra melhorar, tem protagonistas legais e o final me deixou MUITO MUITO MUITO curiosa pra saber o que vai acontecer. Por causa da fila literária, devo demorar um pouco pra ler A Elite,  que é o segundo volume, mas com certeza lerei.
P.s.: O trabalho de edição do livro ficou lindo! A capa já é maravilhosa (a decoração do começo de cada capítulo também é caprichada), e o cheirinho das folhas, muuuito bom *cheiradora de livros viciada*. E achei o tamanho ótimo, assim como o espaçamento do texto, que não faz a leitura ficar cansativa (pelo contrário, você lê pra caramba sem se dar conta).


Nossa, num tô aguentando o Blogger acabando com a qualidade das fotos. Ele não era assim, agora deu pra fazer isso, que merda. Essa última foto é onde as cores originais aparecem, sem edição (quase) nenhuma haha. Mas editei porque só assim dava pra ver melhor as cores da capa do livro e aí combinaria melhor com elas.

Hasta o próximo post :)

30 setembro 2014

Wishlist: editoras parceiras

Cá estou eu de novo :) Hoje o post é algo que nunca fiz mas tendo já uma "lista mental" de livros das editoras parceiras que me interessam, resolvi mostrá-la aqui no blog. Alguns são lançamentos recentes e outros não, mas de qualquer forma são as solicitações futuras. É até bom postar aqui porque antes eu ainda ficava meio indecisa sobre a próxima solicitação, mas agora vou considerar esse post a lista OFICIAL D:< E aí vai ficar mais fácil de seguir. 

Editora Arqueiro 


A Promessa do Tigre. Antes da maldição, uma promessa. Mais de 300 anos antes de Kelsey Hayes surgir na vida de Ren e Kishan, uma jovem cruzou o caminho dos príncipes. Seu amor por um deles mudou o curso da história e o destino da família Rajaram. Filha do maléfico feiticeiro Lokesh, ela é prometida em casamento a Dhiren, por seu pai, e fica feliz com o casamento. Porém Lokesh vê nele uma oportunidade de conseguir ainda mais poder e não poupará esforços para atingir seus objetivos sombrios. 'A promessa do tigre' conta a origem da história dos príncipes Ren e Kishan e os acontecimentos que levaram às aventuras da aclamada série 'A maldição do tigre'. Leia trecho. 







GEMT. Mais um livro da série dos Tigres (lançado em julho), mesmo que seja um prequel. Precisa falar mais alguma coisa? LÓGICO que eu estou mega super hiper ultra louca de vontade de ler. Ok que Yesubai até então me parecia uma chatinha, mas depois da divulgação da sinopse do livro fiquei realmente curiosa em saber mais sobre o que realmente aconteceu entre ela, Ren e Kishan, e é legal que Colleen tenha tido essa preocupação de bolar uma história completa de tudo o que houve antes, o que só vai ajudar a compreender mais os livros que vieram depois. Já fiz a solicitação, será minha próxima leitura, hoho. 


Enfeitiçadas - As Crônicas das Irmãs Bruxas I. Antes do alvorecer do século XX, um trio de irmãs chegará a idade adulta, todas bruxas. Uma delas terá o dom da magia mental e será a bruxa mais poderosa a nascer em muitos séculos. Quando Cate descobre esta profecia no diário de sua mãe, morta há poucos anos, entende que precisa repensar seus planos. Qual será a melhor opção: servir a Irmandade, longe dos olhos vigilantes dos Irmãos Caçadores de Bruxas, aceitar uma proposta de casamento que lhe garanta proteção e segurança ou abandonar tudo e viver um grande amor proibido? Prepare-se para se encantar com os dons de Cate, abominar o ódio e a repulsa que os Irmãos dedicam a meninas e mulheres, e aguardar ansiosamente pela sequência de As Crônicas das Irmãs Bruxas. Leia trecho.






Foi lançado em janeiro pela Arqueiro, e tendo bruxas e adjacências no meio, não tinha como eu não me interessar haha. De qualquer forma eu costumo ser seletiva com esse gênero, porque muitas vezes é só uma história fraca de protagonistas chatas com dons especiais, mas li muitas resenhas a respeito e todas elogiaram muito, inclusive frisando que a temática do livro está longe de ser muito adolescente ou rasa. Logo, I want! 


O Pacto. Ignatius Perrish sempre foi um homem bom. Até que sua namorada, Merrin é estuprada e morta e ele passa a ser o principal suspeito. Não há nada que prove sua inocência. Todos na cidade acreditam que ele é um monstro. Um ano depois, Ig acorda com chifres crescendo em suas têmporas. Descobre também algo assustador: ao vê-lo, as pessoas entram numa espécie de transe e revelam seus pecados mais inconfessáveis. Ninguém está imune a Ig. E todos estão contra ele. Porém, a mais dolorosa das confissões é a de seu irmão, que sempre soube quem era o assassino de Merrin, mas não podia contar a verdade. Até agora. Sozinho, sem ter aonde ir ou a quem recorrer, Ig vai descobrir que, quando as pessoas que você ama lhe viram as costas e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim. Leia trecho.





Vou confessar: nunca li nenhum livro do Stephen King, o mestre do terror. Sim, shame on me! Mas muito provavelmente lerei um do filho dele antes. Sim, Joe Hill, o autor de O Pacto, é esse filho haha! E pelo que todo mundo fala, sem exceção, inclusive a crítica especializada, é um autor excelente, tanto quanto o pai. Esse livro já é um lançamento antigo da Arqueiro, mas agora está de novo "na boca do povo" devido ao filme que vai sair com o Daniel Radcliffe (nosso eterno Harry P.) no fim de outubro. Eu já tinha curiosidade, há muito tempo, de lê-lo, mas depois que vi o trailer do filme, só fiquei com mais vontade ainda. E a cada vez que leio uma resenha (e todas sempre elogiando), a vontade só aumenta, ai ai. Segue o trailer do filme pra vocês também ficarem empolgados e curiosos com a leitura :p 



O Inferno De Gabriel. Gabriel Emerson, durante o dia assume a fachada de um rigoroso professor universitário, mas à noite se entrega a uma desinibida vida de prazeres. O que ninguém sabe é isso esconde uma alma atormentada pelas feridas do passado, que acredita que não há mais nenhuma esperança. Julia Mitchell é uma jovem doce que luta para superar os traumas de uma infância difícil. Quando vai fazer mestrado na mesma universidade, ela sabe que reencontrará alguém que nunca conseguiu esquecer. Assim, a inexplicável e profunda conexão que existe entre eles deixa o professor numa situação delicada, que colocará sua carreira em risco e o obrigará a enfrentar os fantasmas dos quais sempre tentou fugir. O inferno de Gabriel explora com brilhantismo a sensualidade de uma paixão proibida. É a história envolvente de dois amantes lutando para superar seus infernos pessoais e enfim viver a redenção que só o verdadeiro amor torna possível. Leia trecho. 


Ok, o único problema que tenho com esse livro é a capa. Parece que usaram a original, e a gente sabe que as capas americanas não são a coisa mais linda em questão de design né? Arqueiro, troca isso aí haha. Tirando esse probleminha, é outro livro que tenho muita curiosidade. Porque gente, DRAMA. Adoro livro dramático e denso. Esse foi lançado na mesma época do frisson em torno de Cinquenta Tons de Cinza, mas em termos de comparação, vi muita gente falando, e eu mesma acredito, que esse seja muito melhor, justamente pela questão do drama, complexidade dos personagens e história. Quer dizer, é um livro bem trabalhado né, não mostra só o relacionamento intenso entre duas pessoas e mais nada. É outro cujas resenhas e nota no Skoob só me deixam mais interessada, porque até hoje não vi ninguém falando mal. 

Editora Saída de Emergência 

Outlander - A Viajante do Tempo. Em 1945, no final da Segunda Guerra Mundial, a enfermeira Claire Randall volta para os braços do marido, com quem desfruta uma segunda lua de mel em Inverness, nas Ilhas Britânicas. Durante a viagem, ela é atraída para um antigo círculo de pedras, no qual testemunha rituais misteriosos. Dias depois, quando resolve retornar ao local, algo inexplicável acontece: de repente se vê no ano de 1743, numa Escócia violenta e dominada por clãs guerreiros.
Tão logo percebe que foi arrastada para o passado por forças que não compreende, Claire precisa enfrentar intrigas e perigos que podem ameaçar a sua vida e partir o seu coração. Ao conhecer Jamie, um jovem guerreiro escocês, sente-se cada vez mais dividida entre a fidelidade ao marido e o desejo. Será ela capaz de resistir a uma paixão arrebatadora e regressar ao presente? Leia trecho.




AI MEU HEART  Eu não tenho palavras pra descrever o quanto fiquei LOUCA e eufórica assim que soube que a SdE lançaria o livro. Eu sou doida pra lê-lo há tempos, quando ainda saía pela Rocco. Mas era super difícil de achar e super caro. Daí deixei temporariamente pra lá. MAS qual não foi minha surpresa ao saber que a mais nova parceira do blog iria lançar uma nova edição? Ai meu corasaun. 
E isso sem falar na temática maravilhosa, como se estivesse um "YASMIN, ME LEIA" em letras garrafais e em alto-relevo com brilho holográfico na capa: Segunda Guerra Mundial, viagens no tempo, Escócia, clãs e guerras. 
Além disso, recentemente foi lançada a SÉRIE DE TV do livro, AI MEU HEART! Assim que eu assistir (sou meio enrolada com séries, argh) venho falar dela aqui. 

Editora Sextante

As Famosas receitas do Ana Maria Brogui. Livro do Caio Novaes, o dono do famoso canal de culinária Ana Maria Brogui, com mais de 800 mil inscritos, onde ele testa e tenta replicar os pratos famosos dos fast-foods, e muitas outras comidas que são preferência de muita gente. Neste livro você aprenderá a fazer algumas das mais cobiçadas receitas de restaurantes e, é claro, outras para seu dia a dia e também para aqueles momentos em que você só quer “comer uma besteirinha”. Esse livro, organizado de forma prática e divertida, não apenas apresenta pratos gostosos e que encham os olhos, mas ensina receitas de modo que todos consigam fazer com perfeição em suas casas.




COMIDA. Uma das minhas palavras prediletas. Uma das melhores coisas do mundo. E o Ana Maria Brogui é um dos meus canais favoritos de receitas no YouTube (preciso fazer post disso, omg), se não for o favorito, pois me lembro que foi o primeiro que conheci. E cheio de receitas fáceis e maravilhosas. Quando fiquei sabendo que ele lançaria um livro independente, fiquei louca pra comprar, mas acabei enrolando porque tinha outros pra ler e quando fui comprar a lojinha online ficou bugando. Mas qual não foi minha surpresa ao saber que ele será lançado pela Sextante na metade de outubro? *_* Wishlist now!

Então esse foi o post de hoje. Foi até meio longo, mas ainda tiveram dois livros da Arqueiro que foram suprimidos da lista pra não ficar maior ainda haha. E quem tiver lido algum dos que citei aqui, não deixe de comentar contando o que achou! :)
Kisus :*

22 setembro 2014

A volta da que não foi: Resenha - O Temor do Sábio

Então, nunca passou pela minha cabeça que o sinal de internet aqui no limbo fosse tão bom e... I'M BACK :DDDDDDDDDD *solta 10 minutos de foguetes*
Eu não acredito que deixei o blog abandonado nesse hiatus maldito por tanto tempo. Mas por mais que tivesse coisas pra postar, estava sem vontade, sabe? E acabava não vindo. Mas agora parei com a putaria e voltaremos à nossa programação normal.
O motivo de ter vindo postar hoje é com certeza importantíssimo, porque terminei O Temor do Sábio, cortesia da Editora Arqueiro, depois de longos meses lendo. Nunca pensei que fosse demorar tanto mesmo com esse tamanho (960 páginas), porém a leitura teve algumas pausas longas e curtas que fizeram atrasar. Mas enfim, bora com essa resenha. Tentarei ser breve como em todas, um dia eu aprendo.


Autor: Patrick Rothfuss
Editora: Arqueiro
Páginas: 960
Nota: 
Quando é aconselhado a abandonar seus estudos na Universidade por um período, por causa de sua rivalidade com um membro da nobreza local, Kvothe é obrigado a tentar a vida em outras paragens. Em busca de um patrocinador para sua música, viaja mais de mil quilômetros até Vintas. Enquanto tenta cair nas graças de um nobre poderoso, Kvothe usa sua habilidade de arcanista para impedir que ele seja envenenado e lidera um grupo de mercenários pela floresta, a fim de combater um bando de ladrões perigosos. Ao longo do caminho, tem um encontro fantástico com Feluriana, uma criatura encantada à qual nenhum homem jamais pôde resistir ou sobreviver até agora. Kvothe também conhece um guerreiro ademriano que o leva a sua terra, um lugar de costumes muito diferentes, onde vai aprender a lutar como poucos. Enquanto persiste em sua busca de respostas sobre o Chandriano, o grupo de criaturas demoníacas responsável pela morte de seus pais, Kvothe percebe como a vida pode ser difícil quando um homem se torna uma lenda de seu próprio tempo.


Quando recebi O Temor do Sábio, que é a continuação de O Nome do Vento (resenha), levei um susto pois quando solicitei  não sabia que era um calhamaço de quase 1000 páginas haha! (minha maior leitura foi de 1039, mas queria que essa fosse menor pra que fosse mais rápida, mesmo)
Estava muito ansiosa pra voltar a ler a história de Kvothe, O Fodão. O que me incomoda um pouco, pois ele é exageradamente foda & inteligente & esperto & exímio em qualquer coisa e blá blá. Mas tem horas em que gosto dele (e em muitas, dá vontade de dar um soco). O começo que é só um pouquinho lento, pois se dá sempre na hospedaria de Kvothe, de onde ele narra, para o Cronista, a história de sua vida. Este segundo livro corresponde ao segundo dia de narrativas (fico boba como pode caber tanta coisa num só dia e como o homem não quebra a mão de tanto escrever, isso é apelação demais). Ocasionalmente, ocorrem essas pausas voltando à hospedaria, onde a narrativa passa da 1ª pessoa para a 3ª.

A história desse livro se passa em sua grande parte, longe da Universidade, de onde ele tira umas férias forçadas devido a confusões com o insuportável Ambrose (e já tava na hora pois a Universidade estava me cansando). O motivo de todas as aventuras que se desenrolam depois é a ida para Vintas, onde indicado por um amigo nobre, Kvothe se relacionada com um nobre poderosíssimo, servindo de músico e escrevente de cartas e poemas para que o Maer (esse é o título nobiliárquico) consiga conquistar uma mulher por quem se apaixonou. Durante isso, Kvothe acaba por acaso descobrindo o motivo da forte doença que não largava o nobre, e o ajuda a se curar de vez dela. Daí o Maer manda a ele que viaje até uma grande floresta para combater um bando grande de ladrões. O grupo de mercenários com quem Kvothe viaja é uma atração à parte, achei bem divertidos e ri em várias partes. Aliás, o humor e a ironia sempre são muito bons de se ler nestes livros. Patrick Rothfuss dosa moderadamente essas passagens, porém com frases e situações muito bem sacadas.

Link original
Depois dessa viagem para combater os bandidos, Kvothe e o grupo acabam se deparando, à noite, numa clareira na floresta, com Feluriana, uma lenda dos seres Encantados, famosa em todo lugar, por sua imensa beleza (nem sei viu, pela descrição dos olhos dela achei algo bem sinistro :v) e encanto blá blá blá, à qual nenhum homem consegue resistir. Eles são atraídos por ela, que os encanta, e mata de esgotamento físico de tanto fazer ~aquelas~ cousas (tipo, wtf...) ou de loucura mesmo, pois nunca conseguem escapar vivos dela, de uma forma ou de outra. Kvothe acaba indo atrás de Feluriana e deixa seu grupo pra trás. E por ser Kvothe, O Fodão, que nunca havia antes tido qualquer experiência com uma mulher, sua primeira é logo com Feluriana, uma elemental de milhares de anos, conhecida em todo o mundo, o "sonho de todo homem" e blá blá. E ele não só sai vivo do longo tempo em que passa com ela, como antes trava um duelo mágico onde consegue subjugá-la para que possa decidir ir embora quando quiser, aprende várias daquelas ~coisas~, que aliás, segundo Feluriana ele tem um ótimo desempenho (porque o que é que ele não faz muito bem, não é?), ganha uma capa mágica feita por ela e tal. 
Apesar da apelação dessa parte (não em termos de descrição de cenas) devido aos feitos de Kvothe, O Fodão, a personagem de Feluriana, que até certo ponto achei que fosse ser rasa e artificial, foi uma boa surpresa. Acabei gostando dela por ser mais complexa do que eu imaginava que seria, assim como se mostrou o mundo dos Encantados que Patrick criou. 

Depois de sair vivo e cheio de histórias do encontro com Feluriana, Kvothe acaba, junto com um mercenário de seu grupo, tendo que viajar até o Ademre, uma terra distante, de onde vêm os famosos  mercenários ademrianos. Essa parte definitivamente é a melhor do livro. Não sei nem por onde começar a falar dela porque é muito boa! O povo ademriano tem costumes muito diferentes, a começar pela linguagem, que não é muito falada. O silêncio é algo muito presente e comum, e o que é mais usado que tudo (e substitui as expressões faciais, que só são feitas entre pessoas íntimas) são  gestos e símbolos feitos com as mãos, que são muitos e com muitas diferenças sutis. Há também a Lethani, a filosofia dos ademrianos, não só os guerreiros, é muito complexa e se relaciona tanto com as táticas de luta quando com a vida quotidiana. A  parte da luta (principalmente a corporal) e dos treinamentos é muito criativa e bem pensada. Parte curiosa: os ademrianos são desprendidos em várias coisas que Kvothe estranha, como por exemplo, o sexo, o que pra eles é apenas um modo de "descarregar" as energias. Mas sobre as lutas, ao menos se fica provado que existe algo em que Kvothe, o Fodão, não é o melhor do mundo fazendo. 
Falarei mais dessa parte no Ademre e o principal motivo de ter gostado, no fim da resenha. 

Depois dessa viagem, Kvothe acaba tendo mais algumas respostas escassas sobre o Chandriano, o grupo de seres sobrenaturais que assassinou seus pais no primeiro livro. Por fim, ele volta pra receber a recompensa do Maer em Vintas (e o término dessa parte eu achei meio sem graça, como se não tivesse servido pra muita coisa), e depois volta para a Universidade, cheio de dinheiro como nunca havia sonhado em estar antes, já que era paupérrimo. Daí passa a gastar um bocado, aproveita com os amigos e coisa e tal. E, na volta para a Universidade, além de estar numa ótima condição financeira, as histórias de Kvothe, dos feitos em Vintas e Ademre já estão circulando, e sua fama (que já havia começado no primeiro livro) de arcanista, ótimo músico, aventureiro, "namorador", lutador etc, só aumenta. Parece que é um alter-ego megalomaníaco e desesperado por atenção do autor. 

E depois da volta para a Universidade as coisas correm bastante bem. Porém na cena da volta para a hospedaria, onde termina o segundo dia de narrativas, foi que, nas últimas páginas, eu fiquei boquiaberta. Um pouco antes, havia acontecido algo provando que o Kvothe da hospedaria já não é fodão como era quando mais novo. E o que acontece nas últimas páginas tem a ver com isso, oh deuses... Tipo NÃOOOO NOOOESSS PLZZ COMO ASSIM CARA, SEU TRAIRÃO, EU GOSTAVA TANTO DE VOCÊ, SEU FDP INFELIZ



Epic win:  Na resenha de O Nome do Vento reclamei da falta de presença feminina na história... De como as personagens femininas eram fracas, ou as boas apareciam pouco. Nesse livro isso foi bem suprido (não sei se o autor notou ou o quê), porque pra começar, Devi, a prestamista amiga de Kvothe, aparece um bocado, e ela é uma ótima arcanista, tanto que GANHA do Kvothe nesse quesito de fodacidade :o 
Mas o foda mesmo foi o papel das mulheres na sociedade ademriana. À primeira vista, a importância feminina não é tão patente, mas depois fica claro como elas são até consideradas superiores aos homens (não que eu apoie isso, mas num livro que se passa num universo machista, foi uma boa surpresa) em quase tudo, parece inclusive que é uma sociedade matriarcal. Pelo que entendi, todos os mestres e professores de luta na escola de artes marciais são mulheres (mas claro que há mercenários e guerreiros homens, normal), com as justificativas de que as mulheres lutam melhor pois são mais ágeis, além de ensinarem melhor. Shehyn, a "diretora" da escola, é uma mestre Yoda mulher! Quando li o nome "Shehyn", honestamente achei que fosse um homem, pois não havia se especificado o gênero. Mas não era. Achei in-crí-vel! A veinha é foda mesmo.

♦ E de todas as ademrianas, e até de personagens do livro inteiro, minha preferida sem dúvida foi Vashet, a professora de Kvothe. Ela me lembra até a Misato Katsuragi, do anime/mangá Neon Genesis Evangelion, pela personalidade. Ela é sábia, forte e responsável, mas é muito relaxada e age como se não desse a mínima pra nada. E o modo de ela carregar a espada, atravessada nas costas, achei totalmente uma coisa de anime haha. Além dessas personagens femininas, como disse lá em cima, também achei que a Feluriana foi uma ótima e inesperada participação.

Outra coisa: um dos professores de Kvothe, Elodin, apareceu um pouco mais nesse livro, o que eu adorei, pois ele é muito legal, e inclusive se mostrou menos maluco e lunático haha. Além disso, Kvothe acaba tendo mais aulas com ele e consegue chamar o verdadeiro nome do vento mais de uma vez.

 A escrita do autor é sempre incrível, continua brilhante como no primeiro livro. Gostosa de ler, divertida, porém bem construída e complexa na medida certa, mas longe de ser chata. Isso sem falar em como certos trechos (e metáforas) são lindos e poéticos. 

Epic fail:  Senti falta de que as simpatias e magias arcanistas aparecessem mais, pois acho que é a parte mais bem fundamentada e detalhada da história (embora as outras todas também sejam, mas essa é muito criativa e única, nunca havia lido nada parecido).

 A enrolação com Denna, a moça de quem Kvothe gosta, e que também é (aparentemente) apaixonada por ele, foi bem enjoada. Primeiro ele a encontra em Imre, depois em Vintas, depois de novo no fim do livro. Ela é chata, grosseira às vezes, esquiva e arredia (e aceita ser música de um mecenas que bate nela), e aí depois de uns encontros ficava aquele climão esquisito, e a coisa nem já é e nem já era. E por mais que Kvothe goste dela, depois de Feluriana ele vira um galinha. Talvez porque ele soubesse que Denna o enrolaria por mil anos, mas ainda assim, não gostei.

 Também senti falta de mais aparições do Chandriano. Gente, eles são uma das MELHORES partes do livro. São o mal em si haha, e o pouco que Kvothe vai conseguindo descobrir é muuuuito legal. Mas infelizmente ainda foi pouca coisa nesse livro, acho que poderia ter falado bem mais sobre eles. Fico imaginando como vai ficar essa pendência com a chata da Denna e com o Chandriano, no último livro.

 E o achei desnecessariamente grande. Algumas passagens davam a impressão de serem uma encheção de linguiça daquelas, inúteis e só serviam pra arrastar a leitura, que poderia ter sido resumida em um livro de 500 a 700 páginas sem o menor prejuízo. Patrick, arrume um editor urgente, na boa. 

Link original

Leia porque: claro que primeiro você deve ler O Nome do Vento. Porém se já leu e gostou, vai gostar tanto quanto, ou ainda mais, desse aqui. Apesar das apelações do Kvothe ao longo de alguns acontecimentos, como eu reclamei, e do tamanho desnecessário do livro, admito que o autor consegue amarrar a trama toda, de modo que logo depois de uma parte arrastada as coisas já começam a se movimentar e já bate a curiosidade sobre o que vai acontecer, já que esse livro em especial é bem mais dinâmico que o anterior. E como eu já tinha elogiado em O Nome do Vento, o mundo que Patrick Rothfuss criou é muito bem fundamentado, detalhado e convincente. Por si só isso já valia a leitura do primeiro livro, e nesse isso se repete, e ainda apareceram personagens ótimos, que me fizeram gostar mais ainda da história. Acho que ela é o que mais chama a atenção, não o personagem Kvothe em si, apesar de ele ser o principal. 

Ps.: Estava no Deviantart procurando por fanarts legais dos livros, e me deparei com uma montagem sobre quem poderia ser o Kvothe caso fizessem filme ou série, sei lá. Daí o ator na montagem era esse Eddie Redmayne, que ficaria realmente PERFEITO como Kvothe, sem dúvida! Tô abismada *_*




Tô MUITO curiosa e ansiosa pro terceiro e último livro, justamente pela história. Pois está acontecendo com Kvothe, mas mesmo se fosse com outro personagem, completamente diferente, eu ia gostar do mesmo jeito. Então, Patrick, KD TERCEIRO LIVRO? QUER MATAR SEUS LEITORES, HOMEM? Até lançar já surtei de ansiedade. Mas pra não nos dizimar completamente, Patrick já escreveu um conto centrado somente em Auri, e inclusive a Arqueiro já fez a capa! Que ficou linda, aliás, taquepariu. Vai sair no fim de outubro ou começo de novembro. Link

Então, isso é tudo (e bota tudo, oh deuses, como eu escrevo...), até o próximo post :)

Amamos aquilo que amamos. A razão não entra nisso. Sob muitos aspectos, o amor insensato é o mais verdadeiro. Qualquer um pode amar uma coisa por causa de. É tão fácil quanto pôr um vintém no bolso. Mas amar algo apesar de, conhecer suas falhas e amá-las também, isso é raro, puro e perfeito.
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